Category Archives: Bola

O que há, velhinho?

Finais da NBA 2012. Nas duas conferências, a mesma história: um time “experiente” e já campeão, contra um time novo, cheio de Milionário e José Rico na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar.

Por mais difícil e improvável que seja, torço pros velhinhos fazerem uma final. E dou minhas razões (não de bandeja, porque o de trocadilho infame já basta o nome do blog):

1) É improvável porque a temporada desse ano foi mais curta por causa do atraso no início. Rolou uma greve de jogadores, caso você não saiba. E temporada curta, quer dizer mais jogos em sequência. O que já era desgastante, ficou massacrante, e temos várias contusões pra provar. Os times mais jovens tendem a aguentar melhor o tranco no finalzinho.

2) A NBA está virando cada vez mais um jogo de força física e habilidade. Antes era habilidade e eventual força física. É lindo ver o LeBron ou o Durant quase batendo a cabeça no aro numa enterrada. É lindo ver que força e altura não querem mais dizer falta de habilidade com a bola. Mas o jogo coletivo, a malandragem de cavar uma falta, de pressionar o juiz e de fazer apenas o esforço necessário, no tempo certo da bola, pra dar um toco, fazem mais parte do jogo do que quebrar tabelas e costelas.

3) Spurs e Celtics (torço pro time de verde e branco, por razões óbvias, desde criança) têm times completos. É impressionante como parece que os jogadores se combinam pra que a cada jogo um se destaque, enquanto os outros seguram o piano. Essa surpresa torna o jogo mais interessante. Nem quem está dentro da quadra sabe quem vai decidir o jogo.

Pode ser que o mundo acabe ou não em dezembro. Mas o basquete do jeito que eu aprendi a gostar, o basquete do jeito que eu sonhava em jogar, vai acabar. Não vou ficar me lamentando. Vou aproveitar a última chance de ver ao vivo as sutilezas do jogo. E a partir do ano que vem vou estar de novo em frente à TV, aproveitando pra ver a porrada comendo solta.

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São Marcos

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“Com 16 anos de clube, eu não consigo ser só profissional. Nunca fiz média com ninguém. Se a torcida gosta de mim, foi pelas coisas que conquistei. Foi por ter quebrado a clavícula ao me jogar na bola numa dividida. Foi por ter deixado de lado uma proposta de 45 milhões do Arsenal-ING para ficar aqui e jogar a Série B. Eu deixei de agir só com a razão. Às vezes, faço as coisas com o coração, como um verdadeiro torcedor. Eu gosto demais do Palmeiras e só faço as coisas para ajudar. Mas sei que isso às vezes atrapalha.”

A palavra ídolo é tão judiada que nem devia usar aqui. Mas Marcos, ou São Marcos, como ficou conhecido depois de operar vários milagres, é um dos poucos que merecem a palavra.

Eu imagino o que passa a assessoria de imprensa do Palmeiras. O cara não mede palavras, mete bronca, às vezes fala o certo, às vezes troca os pés pelas mãos (ou vice-versa, já que ele é goleiro). Mas ninguém pode falar que o Marcão foge da raia, não admite quando faz cagada ou faz corpo mole.

A frase dele aí em cima resume bem porque um goleiro virou a marca de um time. São Marcos, apesar de beatificado pela torcida, apesar de estar perto dos 40 e jogar como um moleque, é nada mais que um ser humano. Um ser humano que erra (pouco) e acerta (pacas), mas que é de carne e osso. Alguns ossos quebrados, inclusive.

Créditos

Frase: forzapalestra

Imagem: siamopalestra

Edit: Tirando o “Mão Santa” Oscar Schmidt, o Divino Ademir da Guia e Baltazar, o Artilheiro de Deus, não lembro de nenhum outro atleta “beatificado”. Se alguém lembrar, comente.

Bolt, o super cão

Mais um evento mundial de atletismo acaba com Usain Bolt levando tudo: medalhas, recordes, amor, carinho e cheques gordos. Além de correr muito, o jamaicano tem carisma natural e sabe usar isso a favor. Mesmo batendo no peito, apontando pro relógio quando ultrapassa a linha de chegada ou tirando sarro da equipe de revezamento brasileira não passa a mínima sensação de arrogância.

É como aquele cachorro tão legal, mas tão legal, que mesmo quando estraga uma planta, come um chinelo ou caga no tapete a gente acha engraçado.

Com esse carisma todo e o físico esguio, Bolt deixa os comentários sobre um possível doping mais pra trás que a equipe brasileira de revezamento. E ao contrário de outros fenômenos, como Michael Phelps e Ronaldo, o menino Usain (que raio de nome é esse afinal?) não anda deixando ninguém saber que ele está enfiando o pé na jaca (porque com 23 anos, cheio de grana e saúde, o negão deve tá comendo bem).

E se ele tiver tomando alguma coisa, who cares? Sabemos que nesse nível de esporte de elite é impossível se manter no topo sem alguma ajuda. E contanto que não se corra com um motor acoplado à sapatilha, mesmo turbinado Bolt está mostrando até onde o ser humano consegue ir. Aliás, me corrijo – Bolt está nos fazendo perguntar: até onde o ser humano consegue ir?

Cabecinha de melão

“Bobeou a gente pimba”, um clássico da música brega, tinha outra conotação quando eu jogava basquete: a gente cantava quando alguém tava com a mão muito solta, chutando tudo quanto é bola, estilo Oscar Schmidt.

Esse é só um dos velhos problemas do Basquete Brasil. E é tudo questão de cabeça.

A final da NBB foi um resumão de tudo. Já começou com briga e expulsão, teve um primeiro quarto com mais de 20 faltas e um último quarto com um monte de jogador saindo com 5.

No meio, teve o Brasília sem saber aproveitar a falta do Baby no Flamengo e o Flamengo insistindo nos chutes de 3 que não caíam. (Aliás, no jogo 4 o Baby ficou com 4 faltas do terceiro quarto até a prorrogação e ninguém jogava em cima dele) Teve o Brasília afobado, perdendo de 45 a 44, tendo 3 ou 4 ataques pra virar e chutando com menos de 10 segundos de posse de bola. Teve briga de jogador do mesmo time. E teve o Leandrinho mais torcendo pro Flamengo do que comentando.

Teve tudo, menos alguém com a cabeça no lugar e um pouco de visão de jogo. E é tudo macaco velho, jogador com experiência internacional e tudo. Mas parece que o Complexo de Vira Lata que  atingia o futebol (e que a virada em cima dos EUA – no, you can’t – enterrou definitivamente) ainda atinge nosso basquete.

Não sei se é por causa dos fracassos nas Olimpíadas, não sei se é a dependência de um ídolo como Oscar, ou a falta de organização geral. Mas dá pra sonhar que vai melhorar quando mais de 15 mil pessoas vão pro ginásio num domingo de manhã.

Agora vai?

Shaq + LeBron? Será que o maior “errador” de lance livre da história da NBA consegue ajudar os Cavs a conquistar um título? Duvido muito, mas uma coisa é certa: o Varejão vai levar muita piaba nos treinos…

shaq303-062409Diminuíram o tamanho da bola de basquete?

Pênalti não é loteria

Afinal, o jogador de futebol tem que ser profissional ou amar o clube acima de tudo? A imprensa (f)esportiva não se decide: cobra uma postura e critica a outra e vice-versa.

Nada mais óbvio. Num ambiente predominantemente masculino, impera o desejo atávico de casar com a prostituta. Todos querem uma profissional na cama, mas com carinho. E que ainda cozinhe bem, lave nossas cuecas e faça pipoca enquanto vemos o jogo na TV.

Vai se…

Tudo bem, a gente não é bobinho e sabe que tem truque de edição, tem trocentas tentativas erradas até acertar uma, mas que não tem como não soltar um monte de palavrão a cada cena, isso não tem mesmo.

(o jogo parece uma bobagem, mas eu não sou nenhum especialista em games…)