2 perdidos numa noite não tão suja

A admiração pelos dois era diferente. Um, porque antes de pular o muro pra virar escritor era jornalista da Folha numa época que eu lia  (e gostava) muito da Folha. O outro, gênio dos quadrinhos, acabou se mostrando gênio da literatura também. Xico Sá e Lourenço Mutarelli, dois ídolos que eu nunca iria imaginar que tinham tanto em comum.

Vinte anos depois de ler os primeiros trabalhos deles, estava dividindo uma mesa com os dois e mais alguns velhos e novos amigos. Palestras feitas, autógrafos escritos, fotos tiradas, éramos apenas companheiros de boteco, falando bobagens de adulto e rindo como crianças.

Eu, que não gosto dessa coisa de tiete, pude tirar várias dúvidas sobre o trabalho de cada um e ainda me sentir mais próximo, mais amigo. Porque depois de algumas horas em volta de duas torres de chopp e muita carne gordurosa, todo homem que se preze vira amigo de infância.

E amigo de infância não conta nada que o amigo falou na mesa de bar, nem sob tortura.

 

 

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