Barba, pelo e bigode

Eu e meus dois irmãos homens compartilhamos de um mesmo problema genético, embora eles insistam até hoje que eu sou adotado: um dia sem fazer a barba e já regredimos alguns milhões de anos de evolução humana, virando Neandertais modernos.
Meio de brincadeira, a gente sempre falou que o sonho seria fazer a barba num barbeiro daqueles de antigamente: navalha na carne, mas sem perder a ternura. Virou mais um item da lista “coisas pra se fazer antes de bater as botas”.
Desde a véspera de natal isolado num sitio com dezenas de parentes, combatendo o calor com litros e litros de cerveja e longos banhos de piscina, eis que fiquei uma semana sem ver minha cara no espelho. E a idéia de riscar esse item da lista foi tomando corpo.

Esse sou eu no sítio

Com mais uma semana de férias no interior de São Paulo, dessa vez na cidade onde minha esposa nasceu e onde hoje se contam cerca de 25 mil almas vivas, fico sabendo por um cunhado que o mesmo barbeiro que fazia barba, cabelo e bigode do meu falecido sogro tinha acabado de mudar de endereço, mas ainda estava no ramo.
Fui atrás do homem, a dois quarteirões da casa onde estava. Parei numa barbearia tão nova, limpa e branca, com um velhinho tão simpático trabalhando, que acabei ficando por ali mesmo, crente que tinha acertado.
Avisei que era minha primeira vez, “ah, mas veio logo no melhor, não vai querer saber de fazer barba sozinho”, e o papo foi indo.
Desde 1962 pilotando uma cadeira, seu Zé acabou de mudar de lugar, ocupando o que antes era um consultório odontológico (o que explica a brancura do lugar). Encheu minha cara de espuma e foi logo atacando, de luva cirúrgica, o lado direito da minha cara barbuda.
Não sei se foi a emoção do momento, mas desconfio que ele passava a navalha no ritmo do Danúbio Azul: tananananã-tantan-tantan. E nesse ritmo, relaxei e aproveitei. Nem a interrupção para seu Zé atender o celular e confirmar que queria 2 frangos caipiras praquele dia atrapalharam.
10 minutos e 10 reais depois, saí de lá com uma verdadeira bunda de nenê no lugar da cara. Além de pelos das orelhas, nariz e até sobrancelhas aparados.
Agora é assim. Final de ano, entre natal e ano novo, a tradição vai ser deixar a barba crescer e entregar a cara para o seu Zé mais próximo. Pode não ser garantia que tudo se realize no ano que vai nascer, mas com certeza vai ser mais um prêmio por um ano suado e brigado.

Esse sou eu tirando onda de barba feita

PS. Eu realmente tenho uma lista de “coisas para se fazer antes de esticar as canelas” e a cada item riscado na lista  eu acrescento mais uns 2 ou 3. Se você não tem sua lista, aproveite o fim de ano pra começar. Porque você pode não acreditar que a data de validade da Terra é 20.12.2012, mas pelo menos acredite que viver com objetivo é muito mais divertido. Eu até escrevi isso no outro blog: http://www.tumblr.com/blog/15m15k

Feliz 2012, 2013, 2014…

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