O Elvis da nossa geração

Primeiro explico uma coisa, ou melhor, duas:

1) Caioccino tem 2 metros de altura e é branco, mas mesmo com tudo isso contra ainda sente vontade de dançar quando vê os clipes do Michael Jackson; principalmente da fase Off the Wall.

2) Caioccino tem mais de 30 e menos de 40 anos, fase em que temos mais poder e vontade de consumir. É por isso que pra saber o que vai ser moda hoje é só atrasar o calendário em 30 anos. Tudo o que fazia sucesso quando eu tinha 10 anos bomba hoje, influencia tudo hoje e vende pacas. Transformers é só um exemplo. Michael Jackson é a prova concreta.

Isso tudo posto (que é chama), vamos à afirmação bombástica: Michael Jackson é o Elvis Presley da minha, da sua, da nossa geração, caro trintão, cara balzaca.

Mr. Jackson subiu aos píncaros da glória e desceu ao submundo das drogas e do isolamento. Vendeu trocentos milhões de discos (discos!), inventou o videoclip, virou Rei do Pop, espertamente, porque o Rei do Rock já era Mr. Presley. Até casou (e separou rapidinho porque tinha nojinho) da filha do Rei, Lisa Presley.

Nos programas de auditório dos anos 80 tinha concurso de imitador de Michael Jackson, tem noção o que é isso? Hoje se eu encontrar o Faustão, o Gugu ou o Raul Gil na rua acho que nem reconheço, de tanto tempo que não vejo esses senhores na TV (mentira, eu vi o Raul Gil numa churrascaria em SP um dia desses), mas que eu saiba não existem concursos de imitadores de Hanna Montana ou Jonas Bros.

Aliás, foi por aí que tive que explicar pra minha filha de 7 anos o tamanho do sucesso de Thriller: junta tudo o que vc gosta hoje e não dá metade do sucesso dele. Isso enquanto acompanhava a CNN e a GloboNews em busca da confirmação. Aliás, quando a News começou a entrevistar Gabriel O Pensador e Sandra de Sá lembrei que não precisa mais de diploma pra ser jornalista e isso não vai mudar nada.

Mas o fato é que os jornalistas com e sem diploma vão se referir muito mais a Michael, quando quiserem dar um exemplo de mito da música, do que a Elvis. Elvis acaba de passar oficialmente a um plano superior e futuramente será pouco lembrado porque quem o viu vivo, no auge, já está bem longe dos 30 anos.

Isso já acontece com o Heather Ledger, que está muito longe do sucesso do James Dean, mas que morreu jovem e bonito, no auge de um grande papel em um mega Blockbuster. E o jeitão misterioso e tímido de James Dean nos anos 60 é equivalente ao jeitão esquizofrênico e meio louco dessa primeira década de novo século.

O mundo se tornou um lugar de excessos realmente excessivos. Elvis comia sanduíches estranhos, misturando pasta de amendoim com salame. Michael comia…, bem, de comida mesmo parecia que não comia nada. Mas os dois mandavam bala nos remédios. Neverland era Graceland elevada à enésima potência. Mas no fim, dá tudo na mesma. Por cima uma laje, por baixo a escuridão.

A única grande diferença hoje são celulares com câmera. Por causa deles, temos a foto dele entubado, entrando no hospital provavelmente já morto. Assim não tem mistério, não tem especulação, não tem “Elvis não morreu”.

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